No sentido dos cinco sentidos.

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

A minha teima tem sido frutuosa

Após anos de intervalo na aprendizagem dos ensinamentos musicais insisti em praticar por longas horas. Solfejo e instrumento.
Na sequência deste árduo trabalho, ora com alegria, ora com desespero e desilusão, ora desanimada mas logo com persistência, eis que os sons (audíveis!) regressam. Ecoa a chanson française mas não só.
Não me resignei.
Amo este momento.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Em busca de uma fonte de paciência


Era suposto não falhar uma nota, não me enganar a tocar, caso não houvesse abandonado o estudo iniciado em 1982. Porém, deixado em 1989; retomado em 2003/2004 apenas durante mais dois ou três anos; e novamente abraçado apenas de há uns meses para cá; este regresso às partituras não está a ser nada fácil.
Sinto uma enorme necessidade de descobrir algures uma fonte inesgotável de paciência que me segure. Que me permita evitar chegar ao píncaro dos nervos de cada vez que não atinjo a perfeição de outros tempos.
"Haja saúde e coza o forno" já se dizia na Beira... e é muito verdade.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

O metrónomo


O metrónomo avariou.
Convenhamos... provavelmente já tem razões para não funcionar devidamente.
Foram os meus pais quem o comprou na escola de música que eu e o meu irmão frequentávamos na infância. Foi há muitos anos. Eu tinha talvez uns dez anos e o meu irmão oito.
Na escola de música, para além de frequentarmos aulas de solfejo e do instrumento musical escolhido (acordeão, piano, órgão) havia ainda a loja de partituras avulsas, manuais de estudo, tripés, etc. Havia também outros acessórios necessários à aprendizagem, tais como os metrónomos.
Agora, em vez do tique-taque certinho de outros tempos, o metrónomo faz tique... taque, tique-taque... tique... tiquetaque... taquetaque... e, às vezes, até pára sem ser travado. Sem mais nem menos.
Era um objecto irritante. Simbolizava para nós, alunos, o exacto segundo em que o professor de solfejo exigia que a nossa mão direita, já posicionada no primeiro tempo da marcação do compasso, se mostrasse firme e que proferíssemos de forma correcta e peremptória a nota correspondente à leitura apresentada. Era o conjunto de pautas semanal, trabalho de casa que, ali, não podia ser descurado e, sem beliscadura, tinha que ser apresentado.

Recordo o franzir ou suavizar do sobrolho, aquela expressão do professor tão rapidamente por nós perceptível que nos transmitia se tinhamos ou não começado bem a leitura. Uma verdadeira dose de nervos para quem, àquela hora da manhã de Sábado, lamentava não ter uns pais como a maioria dos amigos: "Os meus filhos não gostam de música, não têm ouvido... não há necessidade nenhuma de aprenderem música. Para quê?".
E ali estávamos nós. Filhos de quem, contrariamente, achava que não saber distinguir um bemol de um sustenido era impensável.
Porque não andar de bicicleta ao Sábado de manhã? E brincar com os amigos, porque não? Uma autêntica tortura aquelas aulas.

Hoje, o sentimento é absolutamente o inverso. Louvamos com frequência a força de vontade com que nos levavam àquela escola, a noventa quilómetros de distância que, afinal, de castigo não tinha mesmo nada.

Sei que a música é por mim sentida de forma tão profunda pelo facto de ter aprendido a lê-la, escrevê-la, interpretá-la ainda que de forma não tecnicamente criativa, artística, não especialmente brilhante.
O meu irmão, esse, de modo sem dúvida marcante e diferenciado, lhe percorre habilmente os caminhos, desbrava conceitos, regendo vidas novas dentro da música. Vivendo-a todos os dias e todas as noites.

A música faz de nós pessoas mais completas. Regala-nos a alma.
Num flash, percebemos que eles tinham razão.
Tique-taque.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Da cor da madeira


O Quiné lançou o seu primeiro trabalho a solo. Chama-lhe "da cor da madeira".

Que delícia de cd.

Aconselho vivamente a ouvir estes sons aos quais o Quiné dá vida na percussão.