No sentido dos cinco sentidos.
sábado, 23 de janeiro de 2010
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Tomasz Stańko
Hoje descobri este senhor. Há dias de sorte.
Encontrei uns vídeos na internet através de um amigo virtual* comum. Primeiro, ouvi alguns temas em quarteto. Mais tarde, dei conta da existência de um dueto com esta voz interessantíssima, Dorota. Ainda por cima com a preciosa alusão ao Brasil patente no segundo vídeo que aqui apresento.
Sublime.
* "Amigo virtual" é uma expressão que não aprecio muito mas, na verdade, este amigo é mesmo só de contacto cibernáutico.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
domingo, 17 de janeiro de 2010
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
O metrónomo

O metrónomo avariou.
Convenhamos... provavelmente já tem razões para não funcionar devidamente.
Foram os meus pais quem o comprou na escola de música que eu e o meu irmão frequentávamos na infância. Foi há muitos anos. Eu tinha talvez uns dez anos e o meu irmão oito.
Na escola de música, para além de frequentarmos aulas de solfejo e do instrumento musical escolhido (acordeão, piano, órgão) havia ainda a loja de partituras avulsas, manuais de estudo, tripés, etc. Havia também outros acessórios necessários à aprendizagem, tais como os metrónomos.
Agora, em vez do tique-taque certinho de outros tempos, o metrónomo faz tique... taque, tique-taque... tique... tiquetaque... taquetaque... e, às vezes, até pára sem ser travado. Sem mais nem menos.
Era um objecto irritante. Simbolizava para nós, alunos, o exacto segundo em que o professor de solfejo exigia que a nossa mão direita, já posicionada no primeiro tempo da marcação do compasso, se mostrasse firme e que proferíssemos de forma correcta e peremptória a nota correspondente à leitura apresentada. Era o conjunto de pautas semanal, trabalho de casa que, ali, não podia ser descurado e, sem beliscadura, tinha que ser apresentado.
Recordo o franzir ou suavizar do sobrolho, aquela expressão do professor tão rapidamente por nós perceptível que nos transmitia se tinhamos ou não começado bem a leitura. Uma verdadeira dose de nervos para quem, àquela hora da manhã de Sábado, lamentava não ter uns pais como a maioria dos amigos: "Os meus filhos não gostam de música, não têm ouvido... não há necessidade nenhuma de aprenderem música. Para quê?".
E ali estávamos nós. Filhos de quem, contrariamente, achava que não saber distinguir um bemol de um sustenido era impensável.
Porque não andar de bicicleta ao Sábado de manhã? E brincar com os amigos, porque não? Uma autêntica tortura aquelas aulas.
Hoje, o sentimento é absolutamente o inverso. Louvamos com frequência a força de vontade com que nos levavam àquela escola, a noventa quilómetros de distância que, afinal, de castigo não tinha mesmo nada.
Sei que a música é por mim sentida de forma tão profunda pelo facto de ter aprendido a lê-la, escrevê-la, interpretá-la ainda que de forma não tecnicamente criativa, artística, não especialmente brilhante.
O meu irmão, esse, de modo sem dúvida marcante e diferenciado, lhe percorre habilmente os caminhos, desbrava conceitos, regendo vidas novas dentro da música. Vivendo-a todos os dias e todas as noites.
A música faz de nós pessoas mais completas. Regala-nos a alma.
Num flash, percebemos que eles tinham razão.
Tique-taque.
Convenhamos... provavelmente já tem razões para não funcionar devidamente.
Foram os meus pais quem o comprou na escola de música que eu e o meu irmão frequentávamos na infância. Foi há muitos anos. Eu tinha talvez uns dez anos e o meu irmão oito.
Na escola de música, para além de frequentarmos aulas de solfejo e do instrumento musical escolhido (acordeão, piano, órgão) havia ainda a loja de partituras avulsas, manuais de estudo, tripés, etc. Havia também outros acessórios necessários à aprendizagem, tais como os metrónomos.
Agora, em vez do tique-taque certinho de outros tempos, o metrónomo faz tique... taque, tique-taque... tique... tiquetaque... taquetaque... e, às vezes, até pára sem ser travado. Sem mais nem menos.
Era um objecto irritante. Simbolizava para nós, alunos, o exacto segundo em que o professor de solfejo exigia que a nossa mão direita, já posicionada no primeiro tempo da marcação do compasso, se mostrasse firme e que proferíssemos de forma correcta e peremptória a nota correspondente à leitura apresentada. Era o conjunto de pautas semanal, trabalho de casa que, ali, não podia ser descurado e, sem beliscadura, tinha que ser apresentado.
Recordo o franzir ou suavizar do sobrolho, aquela expressão do professor tão rapidamente por nós perceptível que nos transmitia se tinhamos ou não começado bem a leitura. Uma verdadeira dose de nervos para quem, àquela hora da manhã de Sábado, lamentava não ter uns pais como a maioria dos amigos: "Os meus filhos não gostam de música, não têm ouvido... não há necessidade nenhuma de aprenderem música. Para quê?".
E ali estávamos nós. Filhos de quem, contrariamente, achava que não saber distinguir um bemol de um sustenido era impensável.
Porque não andar de bicicleta ao Sábado de manhã? E brincar com os amigos, porque não? Uma autêntica tortura aquelas aulas.
Hoje, o sentimento é absolutamente o inverso. Louvamos com frequência a força de vontade com que nos levavam àquela escola, a noventa quilómetros de distância que, afinal, de castigo não tinha mesmo nada.
Sei que a música é por mim sentida de forma tão profunda pelo facto de ter aprendido a lê-la, escrevê-la, interpretá-la ainda que de forma não tecnicamente criativa, artística, não especialmente brilhante.
O meu irmão, esse, de modo sem dúvida marcante e diferenciado, lhe percorre habilmente os caminhos, desbrava conceitos, regendo vidas novas dentro da música. Vivendo-a todos os dias e todas as noites.
A música faz de nós pessoas mais completas. Regala-nos a alma.
Num flash, percebemos que eles tinham razão.
Tique-taque.
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
domingo, 10 de janeiro de 2010
Hoje o mar
Contos de encantar
- Até agora, senhor, a minha morada tem sido nas montanhas e nunca a neve ou a geada me apoquentaram. Mas envelheço e não posso suportar este frio cortante. Suplico-lhe que me deixe entrar e aquecer à sua lareira para que sobreviva a esta noite agreste.
Ao compreender o estado desesperado em que o animal se encontrava, o sacerdote sentiu o coração transbordante de piedade e respondeu-lhe:
- Com certeza. Entra depressa e aquece-te.
O texugo, encantado com a recepção, entrou na cabana e deitou-se junto da lareira, enquanto o sacerdote, com renovado fervor, recitava as suas preces e tocava o seu sino diante da imagem de Buda, a olhar a direito na sua frente.
Volvidas duas horas, o texugo despediu-se com profusas expressões de agradecimento e, a partir de então, voltou à cabana todas as noites trazendo ramos secos e folhas dos montes, para a lareira. O sacerdote ganhou-lhe amizade e habituou-se tanto à sua companhia que, se a noite passava e o texugo não vinha, sentia a sua falta e inquietava-se a pensar porque não apareceria.
Logo que o Inverno acabou e a Primavera chegou ao fim do segundo mês do novo ano, o texugo interrompeu a visita e só no Inverno seguinte reatou o seu velho hábito de visitar a cabana.
Conto de encantar "A gratidão do Texugo" in Fairy Tales of the Orient de Pearl S. Buck.
A amizade é um dos fundamentos mais fortes para acreditarmos que Deus existe (no caso, Buda).
E pronto, por hoje já chega. Estou a cair de sono.
As fábulas adormecem-me com a mesma facilidade que um chá de camomila bem quente.
Ao compreender o estado desesperado em que o animal se encontrava, o sacerdote sentiu o coração transbordante de piedade e respondeu-lhe:
- Com certeza. Entra depressa e aquece-te.
O texugo, encantado com a recepção, entrou na cabana e deitou-se junto da lareira, enquanto o sacerdote, com renovado fervor, recitava as suas preces e tocava o seu sino diante da imagem de Buda, a olhar a direito na sua frente.
Volvidas duas horas, o texugo despediu-se com profusas expressões de agradecimento e, a partir de então, voltou à cabana todas as noites trazendo ramos secos e folhas dos montes, para a lareira. O sacerdote ganhou-lhe amizade e habituou-se tanto à sua companhia que, se a noite passava e o texugo não vinha, sentia a sua falta e inquietava-se a pensar porque não apareceria.
Logo que o Inverno acabou e a Primavera chegou ao fim do segundo mês do novo ano, o texugo interrompeu a visita e só no Inverno seguinte reatou o seu velho hábito de visitar a cabana.
Conto de encantar "A gratidão do Texugo" in Fairy Tales of the Orient de Pearl S. Buck.
A amizade é um dos fundamentos mais fortes para acreditarmos que Deus existe (no caso, Buda).
E pronto, por hoje já chega. Estou a cair de sono.
As fábulas adormecem-me com a mesma facilidade que um chá de camomila bem quente.
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